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Comunicação Não-Violenta


terça-feira, 23 de abril de 2019

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A CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais


A Comunicação Não-Violenta (CNV) foi criada pelo psicólogo norte americano Marshall Rosenberg e desde então essa técnica vem ajudando pessoas a se comunicarem nos mais diversos tipos de relações, sejam elas na área pessoal, organizacional e política, abrangendo desde relacionamentos familiares, entre vizinhos, em condomínios e comunidades, empresariais, negociações diplomáticas e conflitos em geral.


Essa técnica nos ajuda a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos o outro, para que assim possamos evitar, resolver ou transformar um conflito.


A CNV se processa mediante a linguagem, se concentrando em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para enriquecer nossas vidas ou a do outro.


Aplicando esse tipo de técnica/abordagem em uma conversa, discussão e até mesmo em uma disputa, promovemos o respeito, a atenção e a empatia, gerando o mútuo desejo de cooperação entre as partes nas situações mais desafiadoras.



EMPATIA

CARACTERÍSTICAS


1. Entender a perspectiva do outro como uma verdade
2. Não julgar
3. Reconhecer as emoções que essa perspectiva gera
4. Comunicar isso tudo



A prática de empatia também é um dos focos da CNV. Ao nos colocarmos no lugar do outro, percebemos seu ponto de referência àquele sentimento e o significado de suas emoções. Desta forma, também podemos compreender sua dor ou o prazer do outro, deixando de lado os julgamentos pessoais.


Com isso, conseguimos expressar ao outro nossa compreensão de seus sentimentos e necessidades, estabelecendo a empatia no relacionamento.


Assim, quando nos comunicamos com outras pessoas, frequentemente podemos identificar intuitivamente os tipos de linguagem que favorecem ou bloqueiam a comunicação. Quando a conversa consegue fluir num nível que permite as partes se entenderem e terem a liberdade de se expressar livremente, criamos a conexão com o outro. Essa sensação representa a qualidade de presença e de escuta atenta, fatores essenciais para que se estabeleça uma ponte de comunicação.



OBSERVAÇÕES, SENTIMENTOS E NECESSIDADES

A CNV propõe uma comunicação de forma simples e prática para nos expressarmos com clareza, fazendo com que tenhamos foco em nossas necessidades e do outro, e estabelecendo conexão com base em nossa humanidade.


Para atingirmos esse objetivo é importante entender primeiro cada um dos componentes da CNV.


Assim, no primeiro momento, devemos saber distinguir o que é observação do que são pensamentos, julgamentos e análises. A maneira como pensamos a respeito das situações, como as julgamos ou analisamos, influencia na forma como nos sentimos em relação aquilo e de como percebemos as nossas necessidades. Assim, saber diferenciar o que observamos dos nossos julgamentos, pode ajudar a ter mais clareza em relação ao que sentimos sobre aquilo ou ao que necessitamos.


Por isso que dizemos que na CNV procuramos nos conectar com os outros, para formar pontes e não muros. Para fazer isso, diferenciamos:


CNV             ≠ LINGUAGEM QUE BLOQUEIA A COMUNICAÇÃO
OBSERVAÇÃO

Descrever o fato observável
JULGAMENTOS

(interpretação, crítica, avaliação)
SENTIMENTOS

(responsabilizar-se pelos seus sentimentos)
INFLUÊNCIA DO OUTRO

(atribuir a outra pessoa a causa de seus sentimentos)
NECESSIDADES

(Valores humanos universais)
ESTRATÉGIA

(como suprir necessidades)
PEDIDO

(propostas claras, positivas e específicas)
EXIGÊNCIAS / AMEAÇAS


Nossos sentimentos, emoções e sensações físicas nos ajudam a identificar quais as nossas necessidades. Isto porque o que necessitamos são a causa para o que sentimos.


Por exemplo, quando sentimos medo temos a necessidade de proteção, segurança, quando sentimos frio, temos a necessidade de nos aquecer. Os sentimos são como bússolas que apontam para nossa necessidade.


Quando usamos a técnica da CNV, aprendemos a observar e distinguir dentro de nós esses elementos e isso nos leva a nos conectar com o outro de forma empática.



CNV EM AÇÃO

Marshall Rosenberg conta em seu livro que estava fazendo uma apresentação sobre CNV numa mesquita do campo de refugiados na Cisjordânia, para alguns muçulmanos palestinos. Na época, havia muitos conflitos entre eles e os EUA. De repente, começou um tumulto e um homeme se dirigiu diretamente à ele gritando: "Assassino!" De imediato, uma dúzia de outras vozes se juntou a ele em coro: "Assassino! Matador de crianças! Assassino!" Neste momento ele se lembrou que no caminho para o campo de refugiados tinha visto várias latas vazias de gás lacrimogêneo, que haviam sido atiradas contra o campo na noite anterior. Em cada uma delas, estavam claramente marcadas as palavras MADE IN USA (fabricado nos Estados Unidos), assim, ele pode supor que os refugiados tinham muita raiva dos EUA por fornecerem gás lacrimogêneo e outras armas a Israel.
Marshall começou a se comunicar com o homem e conseguiu formar uma conexão forte com ele que se sentiu compreendido em sua dor e, assim, foi capaz de ouvir a explicação do motivo do Marshall estar naquele campo.
Uma hora depois, o mesmo homem que o havia chamado de assassino estava o convidando para ir a sua casa para um jantar de ramadã.



CONCLUSÃO

A comunicabilidade entre os indivíduos permite construir pontes ou muros, dependendo da forma como é feita.


A CNV usa técnicas de linguagem para reformular a maneira pela qual nos expressamos e escutamos o outro, com a finalidade de derrubar muros e tornar pontes mais fortes e seguras, criando conexão entre as pessoas.


Assim, a CNV implica na aproximação de forma positiva entre as pessoas e isso reverbera na comunidade como qualidade dialógica e como ambiente colaborativo entre as pessoas.



Por: Dra. Larissa Spyker